Existe uma demagogia no Distrito Federal, ao falarem que cuidam das mulheres!
Ao contrário do estado de São Paulo, no DF não existe um hospital da mulher.
A ausência de um hospital dedicado exclusivamente à saúde da mulher no Distrito Federal voltou ao centro do debate público e expõe uma falha estrutural grave na política de saúde local. A discussão ganhou força a partir da atuação da empresária e filantropa Liza Lopes, presidente do Instituto A Ponte, que tem acompanhado de perto casos de mulheres em situação de vulnerabilidade submetidas a longas filas, sofrimento prolongado e, em muitos casos, à judicialização do direito básico à saúde.
A defesa da criação de um hospital da mulher no DF não surge como uma bandeira ideológica ou discurso abstrato, mas como resposta a realidades concretas. Um dos casos emblemáticos é o de Maria de Fátima, moradora do Trecho 3 do Sol Nascente, que enfrenta há mais de um ano um grave problema no útero e segue aguardando cirurgia pelo sistema público. Diante da inércia administrativa, foi necessário recorrer à Justiça para forçar a aceleração do processo de regulação.
“Quando uma mulher precisa processar o Estado para conseguir atendimento médico, algo está profundamente errado. Saúde da mulher não pode ser tratada como prioridade secundária”, afirma Liza Lopes.
Gargalos históricos e ausência de especialização
Dados do Relatório Detalhado de Saúde 2025 indicam que as mulheres representam cerca de 52% da população do Distrito Federal, mas enfrentam dificuldades persistentes no acesso a consultas especializadas, exames ginecológicos e cirurgias de média e alta complexidade. A inexistência de um hospital exclusivo para demandas femininas sobrecarrega a rede geral, dilui responsabilidades e prolonga filas para procedimentos que exigem rapidez, acompanhamento contínuo e equipes especializadas.
O problema não se limita à saúde física. A falta de estrutura adequada também impacta diretamente a saúde mental das mulheres. Outro caso acompanhado pelo Instituto A Ponte é o de Graci, moradora de Nova Petrópolis, em Planaltina. Após perder as três filhas em um incêndio, ela aguardou mais de um ano por atendimento psicológico e psiquiátrico na rede pública.
“A ausência de acolhimento no momento certo aprofunda o trauma. Isso também é uma forma de violência institucional”, avalia Liza.
Investimentos existem, mas resposta segue fragmentada
Em 2025, o Governo Federal anunciou um investimento superior a R$ 4 milhões para ampliar os cuidados ginecológicos no SUS do Distrito Federal, com foco em consultas, exames preventivos e tratamentos especializados, beneficiando cerca de 1,3 milhão de mulheres. Apesar do avanço, entidades da sociedade civil apontam que as ações seguem pulverizadas e insuficientes para atender demandas complexas que exigem estrutura hospitalar dedicada.
A própria Secretaria de Saúde do DF reconhece que, embora tenha ampliado atendimentos noturnos em unidades básicas e reforçado serviços de saúde mental, a atenção especializada continua sendo um dos principais desafios, em razão da alta demanda e da limitação da infraestrutura atual.
Especialistas defendem modelo focado e permanente
Especialistas em saúde pública são categóricos ao afirmar que doenças ginecológicas, complicações reprodutivas e demandas cirúrgicas femininas exigem resposta rápida, continuidade de cuidado e equipes multidisciplinares especializadas. A ausência de um hospital da mulher agrava desigualdades, compromete diagnósticos precoces e impacta diretamente a qualidade de vida e a autonomia feminina.
Experiências bem-sucedidas em outros estados e países mostram que hospitais especializados reduzem filas, aumentam a eficiência do atendimento e salvam vidas. “Não se trata de privilégio, mas de racionalidade técnica e justiça social”, defendem profissionais da área.
Em 2025, o Governo Federal anunciou um investimento superior a R$ 4 milhões para ampliar os cuidados ginecológicos no SUS do Distrito Federal, com foco em consultas, exames preventivos e tratamentos especializados, beneficiando cerca de 1,3 milhão de mulheres. Apesar do avanço, entidades da sociedade civil apontam que as ações seguem pulverizadas e insuficientes para atender demandas complexas que exigem estrutura hospitalar dedicada.
A própria Secretaria de Saúde do DF reconhece que, embora tenha ampliado atendimentos noturnos em unidades básicas e reforçado serviços de saúde mental, a atenção especializada continua sendo um dos principais desafios, em razão da alta demanda e da limitação da infraestrutura atual.
Especialistas defendem modelo focado e permanente
Especialistas em saúde pública são categóricos ao afirmar que doenças ginecológicas, complicações reprodutivas e demandas cirúrgicas femininas exigem resposta rápida, continuidade de cuidado e equipes multidisciplinares especializadas. A ausência de um hospital da mulher agrava desigualdades, compromete diagnósticos precoces e impacta diretamente a qualidade de vida e a autonomia feminina.
Experiências bem-sucedidas em outros estados e países mostram que hospitais especializados reduzem filas, aumentam a eficiência do atendimento e salvam vidas. “Não se trata de privilégio, mas de racionalidade técnica e justiça social”, defendem profissionais da área.
Articulação política e pressão social
À frente do Instituto A Ponte, Liza Lopes tem articulado parcerias com profissionais da saúde, organizações da sociedade civil e lideranças políticas para transformar a proposta em política pública concreta. Segundo ela, o debate precisa avançar do campo discursivo para decisões estruturantes.
“A saúde da mulher precisa de foco, especialização e prioridade real. Não estamos falando de ações pontuais, mas de dignidade, acolhimento e justiça social”, afirma.
O debate impulsionado por essas histórias expõe uma realidade incômoda: enquanto mulheres seguem aguardando cirurgias, consultas e atendimento psicológico, o Distrito Federal ainda carece de uma resposta estruturada e permanente. Para defensores da causa, a criação de um hospital exclusivo para a saúde da mulher deixou de ser uma opção política — tornou-se uma necessidade urgente.


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