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Pequim acompanha propostas do candidato sobre Brics, minerais críticos e política externa, mas o considera mais moderado que Jair Bolsonaro
O governo da China passou a acompanhar com atenção as declarações e propostas do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), segundo informações da CNN Brasil obtidas com fontes em Pequim.
A principal preocupação seria a possibilidade de o Brasil adotar uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos em caso de vitória de Flávio. Autoridades chinesas estariam monitorando as “falas e práticas” do senador, especialmente em assuntos estratégicos para a disputa global entre Pequim e Washington.
Apesar da cautela, os interlocutores ouvidos pela CNN consideram Flávio mais pragmático e moderado na relação com a China do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A avaliação foi atribuída às fontes consultadas pela emissora. Até o momento, não existe uma manifestação pública e oficial do governo de Xi Jinping sobre a candidatura.

Governo Bolsonaro deixou histórico de atritos
A preocupação chinesa também está ligada aos conflitos diplomáticos registrados durante os primeiros anos do governo Bolsonaro.
Naquele período, declarações de integrantes da administração brasileira aumentaram a tensão entre os dois países.
Eduardo Bolsonaro responsabilizou a China pela pandemia de Covid-19. O então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, chegou a utilizar a expressão “comunavírus”.
A relação começou a perder parte da tensão depois da saída de Araújo do Itamaraty e da chegada de Carlos França ao cargo de chanceler.
Mesmo durante os momentos de maior conflito político, a China permaneceu como um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Pequim quer distância da campanha eleitoral
A orientação para as eleições de 2026, segundo a CNN, é evitar qualquer movimento que possa ser interpretado como interferência chinesa na disputa brasileira.
O embaixador Zhu Qingqiao deverá manter distância das campanhas presidenciais e adotar uma postura discreta nas redes sociais.
A estratégia busca proteger os interesses chineses e preservar as relações com o Brasil, independentemente do resultado das urnas.
Pequim pretende acompanhar a eleição sem demonstrar publicamente preferência por nenhum candidato.

Minerais críticos preocupam a China
Entre os assuntos observados estão os minerais críticos, as terras raras, a inteligência artificial e a participação do Brasil no Brics.
Os minerais ganharam importância diante da tentativa dos Estados Unidos de reduzir a dependência de fornecedores chineses e ampliar o acesso a reservas estratégicas em outros países.
Em documento encaminhado ao Itamaraty, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos pediu que o Brasil revisasse a venda de minas de níquel da Anglo American para a empresa chinesa MMG.
Washington também defendeu ser previamente informado sobre negociações envolvendo jazidas brasileiras e empresas ligadas a economias consideradas “não de mercado”.
As solicitações, entretanto, não resultaram em uma negociação efetiva com o governo brasileiro.

Programa de Flávio não menciona o Brics
A política externa apresentada por Flávio Bolsonaro passou a ser observada dentro desse cenário.
O programa do candidato prevê a retomada do processo de entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE. Segundo a CNN, o documento não menciona a participação brasileira no Brics.
Flávio também já defendeu uma aproximação estratégica com os Estados Unidos e apresentou o Brasil como uma alternativa para reduzir a dependência americana da China em terras raras e minerais críticos.
Essas posições aumentaram a atenção de Pequim sobre os possíveis rumos da diplomacia brasileira.

Investimentos podem ser mais afetados que o comércio
As fontes ouvidas pela CNN avaliam que eventuais atritos diplomáticos dificilmente causariam um impacto imediato e relevante no comércio entre Brasil e China.
A maior preocupação está nos investimentos chineses, que dependem de segurança jurídica, estabilidade política e previsibilidade diplomática.
Empresas da China ampliaram sua presença no Brasil em áreas como produção de veículos, ferrovias, energia, data centers, satélites e plataformas digitais.
Uma mudança brusca na política externa poderia afetar novos projetos e decisões de investimento, mesmo que as exportações e importações continuassem em níveis elevados.
A eleição brasileira entrou, assim, no radar de uma das maiores potências econômicas do mundo. Para a China, o desafio será acompanhar os movimentos de Flávio Bolsonaro e proteger seus interesses sem produzir qualquer sinal de interferência na decisão dos eleitores brasileiros.

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