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O ex ministro da Educação de Lula, Cristovam Buarque elogiou sua atuação profissional e afirmou que não percebia oposição de Bia às ideias do governo; Arlete Sampaio também relatou surpresa com sua transformação política anos depois; A informações são do metrópoles do dia 06/02/2021.
Muito antes de se transformar em uma das principais representantes do bolsonarismo no Distrito Federal, Bia Kicis (PL-DF) viveu um período profissional diretamente ligado à estrutura administrativa de um governo comandado pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Bia ingressou por concurso na Procuradoria-Geral do Distrito Federal em 1992 e, durante o governo de Cristovam Buarque, eleito pelo PT, chegou a ocupar posição de destaque dentro da instituição.
Décadas depois, personagens daquele governo demonstrariam surpresa diante da transformação da procuradora em uma das principais vozes de oposição ao PT.

Cristovam elogiou Bia e disse que não via oposição ao governo
Um dos relatos mais importantes sobre aquele período veio do próprio Cristovam Buarque.
Em entrevista ao Metrópoles, o ex-governador elogiou a atuação profissional de Bia e a descreveu como uma servidora competente.
Cristovam afirmou não se lembrar de conversas políticas com ela. Ao mesmo tempo, declarou que, naquele período, não percebia em Bia oposição às ideias defendidas pelo governo do PT.
O relato chama atenção quando comparado à trajetória que a atual parlamentar construiria anos depois.
Bia se tornaria uma das principais participantes das mobilizações pelo impeachment de Dilma Rousseff e, posteriormente, uma das parlamentares mais próximas politicamente de Jair Bolsonaro.


Arlete Sampaio também se surpreendeu
A ex-vice-governadora Arlete Sampaio (PT) também conviveu com Bia durante aquele período.
Anos depois, Arlete afirmou ter ficado surpresa com a mudança no posicionamento público da antiga integrante da Procuradoria.
Segundo o relato publicado, a transformação chamou tanto sua atenção que, quando encontrou Bia novamente, chegou a questioná-la pessoalmente sobre o que havia acontecido.
A declaração demonstra como pessoas que conheceram a atual parlamentar durante sua trajetória profissional perceberam uma mudança significativa em seu posicionamento político posterior.

Nome de Bia apareceu novamente durante transição para governo do PT
A trajetória de Bia voltaria a cruzar uma administração petista anos depois.
Quando Agnelo Queiroz (PT) venceu a eleição para o Governo do Distrito Federal em 2010, o nome de Bia foi sugerido para assumir o comando da Procuradoria-Geral do DF.
A indicação partiu do ex-procurador-geral Marcello Alencar de Araújo, que participava do processo de transição.
A escolha, entretanto, não foi concretizada.
Agnelo nomeou outro procurador para comandar a instituição.
Portanto, Bia não foi nomeada procuradora-geral por Agnelo, embora seu nome tenha sido apresentado durante a formação do governo.


Antigo chefe também relata surpresa
Marcello Alencar, que trabalhou com Bia e manteve relação de amizade com ela, também afirmou que não reconhecia naquela época o perfil político que posteriormente marcaria a atuação da parlamentar.
Os relatos ajudam a reconstruir uma fase pouco conhecida da trajetória de Bia.
Antes das manifestações contra Dilma, da aproximação com Jair Bolsonaro e da entrada na Câmara dos Deputados, sua carreira havia sido construída dentro da Procuradoria do Distrito Federal, inclusive durante uma administração comandada pelo PT.

A transformação política
A projeção pública de Bia no campo conservador ganharia força principalmente na década seguinte.
Ela participou dos movimentos contrários ao governo Dilma Rousseff, aproximou-se de grupos conservadores e passou a demonstrar influência das ideias de Olavo de Carvalho.
Posteriormente, aproximou-se de Jair Bolsonaro e foi eleita deputada federal pelo Distrito Federal.
A partir daí, consolidou uma identidade política profundamente diferente daquela percebida por antigos colegas durante sua passagem pela administração pública.
Seu nome ainda seria sugerido, anos depois, para comandar a Procuradoria durante a transição para o governo Agnelo Queiroz, embora a indicação não tenha prosperado.
A história mostra, portanto, não um passado de filiação petista, mas uma fase profissional de Bia Kicis dentro de administrações comandadas pelo PT, muito antes de ela se transformar em uma das principais adversárias políticas do partido no Distrito Federal.

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